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Fatima Ortiz Inaugura Série de Palestras

Com o tema “O teatro para criança – uma pequena história” partimos esta rodada de partilhar experiências e espectativas.

A primeira palestra que inaugura esta série de encontros não poderia ser mais pertinente...Com muita propriedade e generosidade Fátima Ortiz nos brindou com “A Pequena História do Teatro Para Crianças”. Entender esta história da qual fazemos parte é basal para o início de uma profunda reflexão.



O público que compareceu também agregou impressões, vindas de diversas áreas do conhecimento. Muitos educadores, artistas e arte-educadores presentes.

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Que valor tem nosso trabalho? Qual o valor do que a gente faz? (Blas Torres)

Essa é a pergunta que a Fátima, sabiamente, nos lançou, e com esta incógnita descortinou a conversa.

Ainda ressaltou: “Sou grata por poder estar participando deste evento, porque são muito raras as ocasiões em que podemos ter encontros deste tipo”. Com toda a sua experiência de vida e de continua dedicação levantou a mesma carência da qual ressinto, da possibilidade de estar trocando experiências que permitam, de forma madura e fundamentada, com variados olhares, rever, permanentemente o nosso bem cultural produzido.


Na exposição da Fátima foi possível ver que a pesar de ser recente a produção específica destinado ao público "criança" temos um vasto trabalho de antecessores que corajosamente nos abriu caminhos para direcionarmos a nossa criação, mas também nos deixou a responsabilidade de continuar avançando em termos cognitivos e artísticos: se é possível separar-los.
No debate posterior, usando como referência a peça, previamente apresentada, “Estórias Brincantes de Muitas Mainhas” levantaram-se várias outras questões: Entre elas, educadores poucos informados sobre os bens culturais produzidos. Professores de arte com formação insuficiente para a utilização plena do teatro como ferramenta de ensino-educação.

Neste levante situacional da realidade, de nosso contexto sociocultural, fomos novamente alertados do perigo de procurar culpados ou responsáveis, o sistema educativo tem suas profundas rasuras, precipícios tão complexos que devemos pensar e procurar corrigir-los, mas antes de tudo, estamos perante uma outra situação mais imediata, que nos tange diretamente: a necessidade de articular-mos e de fato poder interferir para a transformação da realidade que nos toca.

E aqui lanço a minha incógnita. Ate onde estamos dispostos a ouvir os nossos pares? E por outro lado, quando será que conseguiremos expor nosso pensamento, cara a cara como co-responsável pelo trabalho do colega?

Temos ainda outras incumbências como a de tentarmos cambiar a visão de nossa imprensa que nem sequer conta entre suas matérias uma critica especializada na área teatral. No melhor dos casos, apenas, produz um jornalismo de serviço informativo.
Bom para chegarmos a algum lugar, eu mesmo faço o meas culpas e espero não cair na mera desculpa. Tentarei ver com mais freqüência os trabalhos dos colegas, já que no meu hábito atual nem sequer tenho condições de indicar espetáculos produzidos aqui, bem no meu nariz.

Como diríamos na minha terra: Y así nos va.

Como pós-data deixo aqui minha gratidão á querida Fátima, pela paciência e pelo afeto que imprime nesta sua missão de artista e por sobre todo pela sua generosidade e solidariedade incansável.

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Comentários do Processo (Robson Rosseto)

Sem dúvidas, as questões que o Blas coloca são pertinentes e urgentes para abrir discussões e debates sobre o âmbito do teatro produzido para "crianças de todas as idades" - assim denominado a produção teatral da Companhia do Abração. De fato, o que se nota é um tentar recomeçar resgatar o estudo e as implicações em torno da linguagem teatral direcionado para as crianças, por conta da escassez de iniciativas similares sobre tal investigação.

É louvável e indispensável, o convite aos educadores, para podermos refletir juntos, sobre o diálogo da produção artística e estética com as instituições de ensino.
Infelizmente, muitas vezes tais discussões ficam confinadas aos prórpios artistas, aos fazedores produtores de arte e cultura. Ao propor e abrir o debate para todos os interessados nesta investigação, o salto qualitativo é surpreendente. Comprovou-se tal afirmativa no sábado (10/03); pois as visões particulares dos segmentos diversos, contribuíram para melhores esclarecimentos e entendimentos sobre as questões decorrentes dos professores e dos encenadores.

Neste sentido, vou destacar o espetáculo "Estórias Brincantes e Muitas Mainhas". Parece-me que o intuito da encenação é estimular na criança a imaginação, a brincadeira, a reflexão, a vivência de emoções diversas - o meu adulto passou por todas essas etapas, não nessa ordem necessariamente - para tanto, a concepção dramatúrgica se utiliza da fragmetanção; ou seja, as cenas são independentes em si, apesar de terem uma intensa e significativa ligação entre elas. A concepção estética, de construir e do desconstruir o cenário no decorrer do espetáculo, da vivacidade dos elementos cenográficos e principalmente o dar vida a objetos inanimados, marca que vem sendo consolidada pela Companhia do Abração; estabelece uma ligação intrínseco do ser humano, o brincar.

Por este viés, o espetáculo mencionado, assim como os outros espetáculos da Companhia, nos oferecem um convite ao brincar por meio da ludicidade do imaginário infantil. Merecidamente registro o meu profundo Parabéns, pois de forma simples, e repito, simples, consegue tocar grandiosamente a sensibilidade das pessoas. Por outro lado, percebo através da minha prática docente, que muitos educadores, principalmente aqueles sem formação específica na área teatral, ainda querem privilegiar espetáculos voltados para um "didatismo" estabelecido, ou seja, aqueles espetáculos cuja intenção é "passar uma mensagem" moralizante. É obvio, felizmente, que há excessões, mas ainda percebo que persiste esta idéia para muitos. Tais colocações suscitam outras abordagens, que certamente iremos fazer em outros momentos. Enfim, coloquei algumas observações e tentei suscitar algumas questões para podermos refletir ao dar a voz para todos. Somente assim, acredito, que possamos avançar neste caminho investigativo do teatro para crianças, ao democratizar e dar sentido e coerência para aquilo que fazemos e estudamos, o teatro.

Estórias Brincantes de Muitas Mainhas – deixe aqui sua opinião sobre a peça.

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