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Resenha crítica por Ricardo Shöpke - 2ª semana do 4º PGE

4º PGE é marcado pela grande diferença dequalidades, entre os espetáculos apresentados

Teatro físico, manipulação de objetos, musical, teatro desombras e bonecos de luva


A 4ª edição do PGE foi uma das mais díspares de todas as edições realizadas até hoje. Nela tivemos a apresentação de uma grande variedade de qualidades artísticas, bem distintas entre si. Seja na distância entre a pesquisa realizada pelas cias selecionadas, como também no conceito artístico e a na forma de execução e produção de cada uma das peças apresentadas. Nesta 4a edição, busquei também uma parceria com o jornal A Gazeta do Povo, para que eu pudesse publicar diariamente uma resenha crítica de todos os espetáculos apresentados, assim escrevi como um modelo, a crítica completa do espetáculo de abertura Dorminhoco/Cia do Abração, para esta possível parceria entre eu e a Gazeta. Infelizmente, o pouco tempo para as negociações entre nós, impossibilitaram a publicação desta crítica no jornal. Assim, resolvi envia-lá completa para a publicação – já realizada - no Blog da 4a edição do PGE.

O segundo espetáculo A Menina e o Lampião é uma singela e delicada história que se utiliza de bonecas de pano e teatro de objetos. A Cia Filhos da Lua, com larga experiência no ramo da animação, apesar da criatividade e inventividade nos objetos, esbarrou em uma indefinição no conceito de maninpulação do espetáculo. Não deixando clara qual foi a concepção adotada no manuseio dos objetos. Como manipulação direta, faltou alguns princípios básicos do teatro de bonecos, no trato com esta arte em específico. A indefinição entre assumir a boneca de pano, como boneca de pano, ou a austeridade em manusea-lâ como um títere, deixou lacunas conceituais no entendimento da proposta do trabalho.

A Cia entretanto, foi a responsável em apresentar um dos momentos mais marcantes de todo o 4o Pequeno Grande Encontro. Dando uma bonita lição de como podemos incluir as crianças dentro de nosso teatro sem utilizar para isso expedientes didáticos, pedagógicos ou infantilóides. Fazendo-se valer de uma refinada experiência em musicoterapia para crianças, a direção
musical de Candiê Marques fez com que elas reproduzissem os sons de sapos no brejo de uma maneira única: sincronizadas, ritmadas e afinadas. Todo o teatro foi abraçado por uma sonoplastia original. integrada e impressionantemente harmônica. Criando um dos climas mais mágicos de todo o 4o PGE.

O terceiro espetáculo Do Cururu ao Tororó, da Cia. Triolé Cultural, presentava em sua sinopse uma das mais interessantes histórias do 4o PGE. Canções populares de nossa tradição oral, que seriam cantadas e contadas

pelo grupo, mostrou-se um dos mais equivocados projetos de todo o nosso importante 4o Encontro. Apesar de apresentar um repertório musical dos mais fascinantes, nos mostrou quase tudo que um espetáculo contemporâneo para as crianças não deve ter jamais: linguagem infantilóide, pulinhos, tatibitati, ausência de dramaturgia, falta de conceito estético, entre vários itens da
produção bem intencionada, porém mal executada neste momento, como encenação e musical. Sendo importante destacar que este é o primeiro trabalho da Triolé Cultural, que poderá ampliar nos próximos espetáculos, as boas idéias que se perderam neste projeto: o bonito repertório musical e a inventiva projeção em um imponente balão de ar.

O quarto espetáculo Alberto, o Menino que queria voar da Companhia Karagowsk, é uma sensível e delicada homenagem ao nosso pai da aviação Santos Dummont, realizada pela mágica técnica do teatro de sombras, pelo especialista Marcello Andrade dos Santos. O espetáculo apresentou uma variedade grande de técnicas de sombras, e as suas mais curiosas formas de boa execução. Temos a demonstração de como são realizadas as sombras do espetáculo, algo muito positivo e bem-vindo, pois

acrescenta à linguagem um tom épico e de distanciamento da obra apresentada. O projeto me parece claramente estar ainda em fase de processo de construção, e tenho certeza que ele tem tudo para encontrar o seu tom exato mais à frente, e assim poder aparar as arestas no que diz respeito a um tom didáticopedagócio- professoral da dramaturgia, e na abordagem formal
com a platéia. 

O quinto espetáculo Histórias da Carrocinha, da Caixa do Elefante, é um dos maiores exemplos de uma Cia teatral e o seu comprometimento com o ofício do fazer teatral. Apresentando um dos espetáculos mais completos do 4o PGE, a cia deu uma aula - no melhor dos sentidos -, de como manter vivo um ótimo espetáculo, que está com 17 anos de estrada. Todos os itens do

espetáculo são executados com excelência pela Caixa do Elefante. O espetáculo, realizado através de uma bela técnica de boneco de luva - uma homenagem ao bonequeiro argentino Javier Villafañe -, apresenta uma ótima dramaturgia – algo raro no teatro de títeres -, uma preciosa e melimétrica manipulação, e uma esmeradíssima produção. Tudo funciona com perfeita harmonia entre o palco e a platéia. Para isso acontecer a Caixa do Elefante nos dá várias demonstrações de como agir profissionalmente: conhecer bem a
localidade onde estão se apresentando, ensaiar sempre, cuidar de todos os mínimos detalhes da apresentação, entre muitos outros itens...afinal de contas, apesar dos 17 anos da Carrocinha, pelos vários continentes do mundo, para a platéia local será sempre a primeira vez!

Ricardo Schöpke
Crítico do JORNAL DO BRASIL, colaborador do caderno Prosa &
Verso do jornal O GLOBO, mediador e debatedor do 4o Pequeno
Grande Encontro de Teatro para as Crianças de Todas as Idades.

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