REFLEXÕES SOBRE O ENCONTRO E PROPOSTA DE CONTINUIDADE - Por Renato Perré

Renato Perré é diretor, dramaturgo, ator e bonequeiro. Dirige o Grupo Filhos da Lua e é Presidente da Associação Nacional de Teatro de Bonecos.

Penso que começamos bem, trazendo à tona temas essenciais à produção e a boa fruição do teatro para crianças. Estamos todos de parabéns principalmente nossas crianças internas batem palminhas de satisfação. Tudo foi e é oportuno, pois a dedicação dos produtores, dos atores, dos pensadores e do público abre espaço para uma próxima primavera da poesia cênica. A vida é cíclica graças à sabedoria divina que faz voltar o novo com essência mais madura e perfumada. Olha o Ilo aí! Vivo como o bom teatro de resistência ao mecanicismo de um mercado cultural que faz da criança, esse ávido público, um fantástico multiplicador de cifras. E assim foram esses dias aí no Abração. Dias de respiro e reflexão: por onde caminharam os pioneiros, por onde estamos caminhando e aonde queremos garantir que chegaremos sempre: Nós os poetas da cena que usufruímos dessa surpreendente alvorada que é o espaço da sensibilidade da criança. Fazemos teatro para criança e é por meio dela que toda essa poética é sustentada. Talvez não haja nada mais revolucionário do que cuidar da criança em todos os níveis: saúde, alimentação, educação, cultura, ecologia. Portanto, corpo à obra. Vamos bater e abrir as portas dos poderes, outorgados por nós, para que cuide melhor desse segmento muito especial no universo das artes cênicas: O Teatro Para Crianças: Formador da boa platéia, retoalimentador de bons atores, cenógrafos, coreógrafos, dramaturgos, músicos etc.
Vamos propor a continuidade e os resultados deste fórum no âmbito das políticas públicas às artes cênicas, encaminhando propostas de abertura de editais específicos para a produção, circulação e oficinas de formação para novos criadores do Teatro Para Crianças do Brasil. Os mestres estão aí. Vamos deixá-los simplesmente partir?! É hora de nos agruparmos novamente em espaços de estudo, de realização e de pressão popular. Penso que de início devemos provocar, com apoio da Funarte e parcerias com os órgãos de cultura, encontros estaduais para o levantamento de propostas concretas para a revitalização do setor. Paralelo a esta ação, os mesmos encontros podem enfocar a memória da dramaturgia de cada estado com um seminário e leituras de textos.
Por enquanto vamos caminhando em estrada de significativa paisagem. De olhos bem abertos!

Renato Perré/Teatro Filhos da Lua

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