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Mostrando postagens de 2007

TEATRO PARA CRIANÇAS, por Fátima Ortiz

● Atriz, autora, diretora de teatro, arte-educadora.
Coordenadora do Pé no Palco Atividades Artísticas.

Aquele dia falei: “somos poucos”. Quantos grupos dedicados especialmente à pesquisa de uma linguagem própria? Quantos diretores de teatro para crianças existem no Brasil? Quantos dramaturgos? Às vezes tudo me parece muito simples. Somos uma espécie rara! Quando nos encontramos ficamos mexidos, emocionados e, sobretudo, fortalecidos. Esses encontros mexem também pelo lado avesso. Qual tem sido o avesso desta felicidade? Esta, de nos sentirmos unidos pelo mesmo ideal? A fala nos faz refém. Coloca-nos diante de nossas impotências. A maior delas, sinto hoje, é a tirania do tempo. Que bom se o tempo pudesse ficar um tempo suspenso naquelas horas de Abração e em todos os sentidos que o nome da companhia nos reporta. Pra variar, quando terminam esses encontros eu me cobro. Está certo, temos muito que fazer. As tais políticas públicas? O esforço que precisa para nos fazermos presentes...
Parec…

REFLEXÕES SOBRE O ENCONTRO E PROPOSTA DE CONTINUIDADE - Por Renato Perré

Renato Perré é diretor, dramaturgo, ator e bonequeiro. Dirige o Grupo Filhos da Lua e é Presidente da Associação Nacional de Teatro de Bonecos.

Penso que começamos bem, trazendo à tona temas essenciais à produção e a boa fruição do teatro para crianças. Estamos todos de parabéns principalmente nossas crianças internas batem palminhas de satisfação. Tudo foi e é oportuno, pois a dedicação dos produtores, dos atores, dos pensadores e do público abre espaço para uma próxima primavera da poesia cênica. A vida é cíclica graças à sabedoria divina que faz voltar o novo com essência mais madura e perfumada. Olha o Ilo aí! Vivo como o bom teatro de resistência ao mecanicismo de um mercado cultural que faz da criança, esse ávido público, um fantástico multiplicador de cifras. E assim foram esses dias aí no Abração. Dias de respiro e reflexão: por onde caminharam os pioneiros, por onde estamos caminhando e aonde queremos garantir que chegaremos sempre: Nós os poetas da cena que usufruímos dessa s…

Sobre o Workshop do dia 30 de março de 2007.

Por Francisco Gaspar

Graduado em Artes Cênicas, pela Universidade do Rio de Janeiro, Mestre e Especialista em Psicologia pela Universidade Federal Fluminense. Tradutor do “Jogos para atores e não-atores”, de Augusto Boal e do “Ensaio sobre o gênero dramático sério”, de Beaumarchais. Professor de técnicas de Happening, que conjugam técnicas de improvisação com orientações de autores como Bertolt Brecht, Peter Brook, Augusto Boal e Carmelo Bene. Atualmente integra o grupo de estudos e pesquisas e também a docência da Companhia do Abração.


“Pirlimpsiquice”, conto de Guimarães Rosa foi o ponto de partida do nosso Workshop. O objetivo era fazer com que os participantes vivenciassem a face lúdica, sensível e fantástica da experimentação teatral, caracterizada pelo “pirlim” em contraposição à face teórica, científica e metodológica da “psiquice”. Como o velho João Rosa, pensamos esses dois lados do mundo para além, ou para aquém, de toda dicotomia e de qualquer separação entre gêneros. Nada d…

Teatro para Todas as Idades - Milton Morales Filho

(Esse texto foi elaborado a partir do tema exposto na mesa redonda sobre teatro para todas as idades organizado pela Cia do Abração, que ocorreu durante Festival de Curitiba-2007. Milton Morales Filho é formado pela Escola de Arte Dramática da USP, formado em medicina pela UNESP, especialista em Medicina Preventiva. Foi Diretor de Teatro no Colégio Waldorf Micael de São Paulo de 1996 a 2006. Dramaturgo e diretor do Teatro da Gioconda, Cia de São Paulo que, desde 1999, trabalha com crianças e adultos.)

Atualmente há muitos grupos com trabalhos voltados “para todas as idades”, onde o espetáculo não se encaixa nem na categoria “para crianças” nem “para adultos”.
Refletindo sobre esse tema, levantei algumas questões, que estão longe de ser um ponto final no assunto. São apenas considerações (entenda-se como bem-humoradas) para ampliar essa discussão.

O termo, “Teatro para Todas as Idades”, atualmente agrega diversos fatores:

Surge como uma negação ao “teatro infantil”, termo infelizmente carr…
Simão Cunha. Aluno de Artes Cênicas da FAP - Faculdade de Artes do Paraná e Aluno colaborador da Cia. do Abração.

"Oxe! Quem sou eu pra opinar num blog tão sério? Sou Simão Cunha, estudante de Licenciatura em Teatro e com uma experiência tão frágil no teatro que seria até uma “afronta” escrever aqui... mas, vamos tentar!

Acompanhei todo o evento de Investigação de teatro para Crianças da Cia. do Abração e fico feliz de ver que uma cidade como Curitiba se preocupe tanto com uma arte voltada para a construção de seres e cidadãos, não só com raciocínios lógicos e metódicos, mas com uma humanização que trabalha a imaginação, a fantasia. Uma questão séria, mas que não se volta àquelas visões tradicionalista que muitas escolas e famílias impunham.

Com tantas discussões que participo sobre teatro-educação parece-me que tudo pode ser repetitivo quando escrevemos e comentamos algo. Enfim, podemos perceber o quão é impressionante a relação tão recente do teatro com a criança. Para falar isto, …

REFLEXÕES SOBRE O PROJETO

Apontamentos sobre a Investigação do Teatro para Crianças - Robson Rosseto - Artista, professor universitário, especialista em arte-educação.

O projeto terminou, mas certamente é o início de uma nova etapa, pois a realização desta investigação trouxe a consciência e a certeza que os debates, as discussões, as palestras, enfim, todo o processo dialógico em torno do tema "Teatro para Crianças" veio para ficar. A cidade de Curitiba precisava de tal iniciativa para propor este movimento, não apenas um movimento com discussões estéticas teatrais, que é sempre válido e necessário, mas também que envolvesse o viés da educação. As contribuições dos palestrantes foram de fundamental importância em diversos âmbitos - o histórico do teatro para crianças em Curitiba e no Brasil, concepções estéticas e filosóficas para a concretização das encenações, os entraves de diálogo entre os grupos teatrais e as instituições de ensino, dentre outras. Tais temas instigaram a importantíssima particip…

Reflexões 2 - A POÉTICA DO ABRAÇÃO

Por: Ricardo Leandro (29/03/07) - é ator, Licenciado em Teatro pela FAP. Faz parte do Núcleo de Pesquisa Teatral do ACT ( Arte da Comédia).


O evento realizado pela Cia do Abração ( Projeto de Investigação de Teatro para Crianças), merece no mínimo alguns comentários. Há espetáculos voltados para fora e outros voltados para dentro, para a introspecção. Sem dúvida o repertório da mostra de teatro da Cia do Abração, levam os atores e público, a interiorizarem as belezas da poesia dentro da própria obra apresentada, ou seja, o espetáculo. Os espetáculos apresentados pela companhia, anuncia que vem para ficar, vem para refletir sobre o espelho reverso da vida. Vem para dialogar com criança, dar conforto para suas vivências, dando lhes o que há de melhor na encenação/teatro e encenação/vida, sem cobrar muito por isso, sem deixar de olhar para a arte-educação, sem menosprezar, sem subestimar as nossas crianças. Kazuo Ohono, fez “La Argentina”, com Buthô. Ele contava uma estória através de seu…

Encontro emocionante

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Por que cantamos?Por que gostamos de arte? Por que gostamos de crianças?
"PORQUE SOMOS CRIANÇAS" (GUGA CIDRAL - artista educador)

Sábado, dia 31 de março será um dia inesquecível para muitas pessoas, pudemos conhecer uma criança de 76 anos com uma memória invejável e com muita história pra contar. Ilo Krugli, sem dúvida, nos faz querer encontrar nossa criança todos os instantes de nossas vidas, essa nossa criança permite que possamos ver um mundo com outros olhos, permite colorir nosso caminho, permite o jogo, a brincadeira, permite a nossa troca com as demais crianças, permite a vida mais sensível e finalmente, permite o "amor", porque criança é afeto, é carinho, é essência, é fundamental.O que me deixa mais feliz é que durante esses encontros muitas crianças puderam descobrir que teatro e arte é tudo isso também, e que no meio de tantas discussões sobre "crianças de todas as idades" e qual peça é importante para tal faixa etária, sabemos que nada disso t…

Por que cantamos

Queridos colegas, amigos, coloco esta poesia escrita pelo Mario Benedetti, lembrado pelo Ilo Krugli e que em muitas horas de desilusão e questionamentos existenciais ela tem-me afagado o desespero além de lembrar que vida é muito mais que "eu", apenas, e que nada há além do sonho. Se cada hora vem com sua morte,
se o tempo é um covil de ladrões,
os ares já não são tão bons ares,
e a vida é nada mais que um alvo móvel
e você se perguntará por que cantamos...

Se nossos bravos ficam sem abraço,
a pátria está morrendo de tristeza,
e o coração do homem se fez cacos
antes mesmo de explodir a vergonha
Você perguntará por que cantamos...

Cantamos porque o rio esta soando, e quando soa o rio / soa o rio. Cantamos porque o cruel não tem nome embora tenha nome seu destino. Cantamos pela infância e porque tudo e porque algum futuro e porque o povo. Cantamos porque os sobreviventes e nossos mortos querem que cantemos. Se fomos longe como um horizonte,
se aqui ficaram árvores e céu,
se cada noite é sem…

"O Teatro para crianças no Brasil" será o próximo tema de encontro.

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Está previsto para o dia 31 de março de 2007, às 18:00 horas, o encontro em que será realizada uma mesa redonda para falarmos do Teatro para Crianças no contexto brasileiro.
Confirmaram a partipação artistas e diretores teatrais curitibanos, como a Fátima Ortiz, o Renato Perré, Maurício Vogue, Manoel Kobachuk, entre outros. Estão confirmadas, também, as presenças de Milton Morales Filho, diretor e dramaturgo do Teatro da Gioconda, SP, Taiana Haelsner, coordenadora do Fenatib, SC, e Ilo Krugli, fundador do Grupo Ventoforte de São Paulo, um criador que chamamos de divisor de águas no teatro para crianças, cuja influência percebe-se fortemente em algumas produções do teatro curitibano.

Para saber mais do Ilo Krugli , ver entrevista publicada no site da CBTIJPara ampliarmos esta discussão, agora só falta você comparecer!! ........................................................................................Compartilhando minha leitura(Blas Torres)Nesta edição do Festival de Teatro de Curi…

Muita participação do público na palestra do Mauricio

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Realidade e Fantasia – tema instigante da palestra, proposto por Maurício Vogue. A contribuição da semana, após os ensaios abertos dos espetáculos Sonho de Uma Noite de Verão e Um Mundo Debaixo do Meu Chapéu, se deu por conta do repasse de experiência feito pelo diretor teatral Maurício Vogue que falou sobre sua trajetória enquanto fazedor de teatro para crianças. Falou, também, sobre suas dúvidas e buscas no teatro que atualmente fazemos.
Quanto de realidade devemos apresentar para crianças? Será que não estamos fantasiando demais? Quanto o teatro já é fantasia e o quanto e como tratamos da realidade para as nossas crianças hoje? Questões que mais que a necessidade de encontrarmos uma resposta, devem ampliar nosso discernimento, nossa postura e fomentar nossas inquietações. Grata a todos e, principalmente ao Maurício, pelo alimento fornecido à nossa investigação.
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Variedades disconexas (Blas To…

Sonho de uma Noite de Verão e Um mundo Debaixo do meu Chapéu fecham o ciclo de ensaios abertos

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O ensaio aberto de Sonho de Uma Noite de Verão contou com o Diretor Maurício Vogue que propôs o aquecimento "brincante e concentrado", num rápido mergulho reflexivo no tema "Realidade x Fantasia".








David Mafra, diretor da criação de Um Mundo Debaixo do Meu Chapéu observa as mudanças progressivas da dramaturgia do espetáculo que foram acontecendo desde a sua estréia em 2004.

Maravilhosa Exposição do Fabuloso Perré

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Elenco do Trenzinho do Caipira e Palestrante
Divagações (Blas Torres) Obrigado, querido Perré, pela chama idealista e pela generosidade de partilhar tua experiência.
Hoje até fica um pouco difícil decidir por onde começar, tantas coisas boas se geraram e de muitas formas me atingiram, que minha conexão dispersa se perde no emaranhado de sentimentos e informações colhidas nesta semana. Então vou deixar livre meu espírito blasonador tentando compartilhar estas vívidas experiências.

Antes de tudo, despejo minha alegria celebrando o fato de que todas as atividades propostas neste projeto tenham se interligado tanto que uma atividade começa puxar a outra e como efeito temos a casa bem movimentada e com um público freqüentador não muito habitual. Lembro o dia em que planejamos, estávamos muito cientes do risco a não se concretizarem. Mas ainda bem, para mim, que me achava maduro demais, (meio velho) para as surpresas, desta vez, tenho que admitir, que sutilmente levei um tapinha de luva porque …

Espetáculo O Trenzinho do Caipira dá continuidade aos ensaios abertos.

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Hoje foi a vez do Trenzinho do Caipira. Um dia de re-encontros!!!

Nossa “desculpa” desta semana é a obra de Villa Lobos.
Que prazerosa desculpa...
Desculpa que proporcionou gratos reencontros, daqueles generosos, gratuitos mesmo, que a vida nos proporciona...


Depois de um ano longe do nosso trem, a atriz Kassandra Speltri, criadora originária do personagem DOMITILA, retorna como se nunca tivesse abandonado seu vagão. A experiência do retorno em um grupo totalmente renovado, já dentro de um ensaio aberto ao público, sem uma prévia combinação ou algo do gênero, proporcionou aquela instabilidade do inesperado. Aquele estado “vivo” dos personagens que precisam correr atrás da bola. Também uma nova poética tomou conta do trem.

Para os “aquecedores” da semana, Katiane Negrão (corpo) e Karla Izidro (voz) foram lançadas propostas de jogos que preparem atores e espectadores para uma viagem no nosso trem caipira.


E lembrar finalmente que hoje 15 de Março às 19 hs temos mais momentos para partilhar.

Fatima Ortiz Inaugura Série de Palestras

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Com o tema “O teatro para criança – uma pequena história” partimos esta rodada de partilhar experiências e espectativas.

A primeira palestra que inaugura esta série de encontros não poderia ser mais pertinente...Com muita propriedade e generosidade Fátima Ortiz nos brindou com “A Pequena História do Teatro Para Crianças”. Entender esta história da qual fazemos parte é basal para o início de uma profunda reflexão.



O público que compareceu também agregou impressões, vindas de diversas áreas do conhecimento. Muitos educadores, artistas e arte-educadores presentes. ..................................................................................................
Que valor tem nosso trabalho? Qual o valor do que a gente faz? (Blas Torres)

Essa é a pergunta que a Fátima, sabiamente, nos lançou, e com esta incógnita descortinou a conversa. Ainda ressaltou: “Sou grata por poder estar participando deste evento, porque são muito raras as ocasiões em que podemos ter encontros deste tipo”. Com toda a…